A migração dos usuários do Google para plataformas de inteligência artificial está redefinindo a forma como marcas são descobertas na internet. Plataformas como ChatGPT, assistente da OpenAI, Gemini, da Google, Claude, da Anthropic, e Perplexity passaram a ser usadas diretamente por milhões de pessoas para tirar dúvidas, buscar recomendações de produtos e tomar decisões de compra, criando uma nova disputa entre empresas: a de aparecer nas respostas geradas por esses sistemas.

O movimento representa uma transformação estrutural no ambiente digital. Em vez de navegar por páginas de resultados de busca e comparar diferentes sites, muitos usuários optam por receber respostas diretas e personalizadas. Isso reduz o número de opções analisadas e aumenta a importância de construir uma presença digital que seja facilmente identificável pelas ferramentas de inteligência artificial.

IAs substituem Google como ponto de partida para buscas de consumidores - Imagem complementar

Os dados confirmam a dimensão dessa mudança. Um estudo da Comscore divulgado em 2026 aponta que ferramentas de inteligência artificial já alcançam 36% dos usuários de computadores e 23% dos usuários de dispositivos móveis. A pesquisa também destaca o crescimento do uso dessas plataformas para descoberta de produtos, serviços e empresas, sinalizando uma alteração significativa nos hábitos de pesquisa dos consumidores.

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Até pouco tempo atrás, o caminho padrão para obter informações online começava quase sempre em um buscador tradicional, onde o usuário digitava palavras-chave, examinava links patrocinados e orgânicos e, em seguida, acessava sites individuais para comparar opções. Esse modelo, centrado nas páginas de resultados, foi a base do marketing digital e das estratégias de otimização para motores de busca, conhecidas como SEO, durante mais de duas décadas.

Com a chegada dos modelos de linguagem avançados, esse fluxo passou a ser atalhado. Quando um usuário pergunta a um ChatGPT qual é a melhor empresa de um determinado segmento, a resposta não é uma lista de links, mas uma recomendação direta, baseada em padrões de dados assimilados pela ferramenta. A marca citada nessa resposta ganha visibilidade imediata, enquanto as demais simplesmente desaparecem da conversa.

Essa dinâmica concentra o valor da descoberta em poucos nomes, criando um cenário em que estar ausente das respostas da inteligência artificial equivale, na prática, a não existir para o consumidor que adota essa rota de busca. A consequência direta é que empresas precisam repensar suas estratégias de presença digital para além dos critérios tradicionais de ranqueamento.

Para alguns setores, o desafio é ainda maior. Na arquitetura, na construção civil e no mercado imobiliário, por exemplo, a disputa pela atenção do consumidor não se limita a ser encontrado. É preciso apresentar projetos e soluções de maneira clara e capaz de transmitir confiança em poucos segundos, especialmente quando a primeira informação chega por meio de uma resposta automatizada.

É nesse cenário que empresas especializadas em comunicação visual ganham relevância. A Redraw, empresa focada em renderização arquitetônica e visualização de projetos, atua junto a incorporadoras, construtoras e escritórios de arquitetura oferecendo imagens fotorrealistas, animações e experiências visuais imersivas que transformam projetos ainda no estágio de planejamento em apresentações compreensíveis e atraentes.

Alexandre Kuhn, cofundador da Redraw, afirma que o mercado está entrando em uma fase em que as decisões são cada vez mais baseadas em informações digitais. Segundo ele, embora as inteligências artificiais ajudem a encontrar respostas com mais rapidez, a qualidade da apresentação continua sendo fundamental para gerar interesse e confiança. Em setores como o imobiliário, imagens realistas ajudam o cliente a compreender um empreendimento antes mesmo de ele existir fisicamente.

Kuhn também destaca que, à medida que as plataformas de inteligência artificial se incorporam à rotina dos consumidores, cresce a necessidade de oferecer conteúdos visuais capazes de transmitir valor de forma eficiente. Para o executivo, quem consegue comunicar suas ideias de maneira clara e impactante ganha vantagem competitiva, e a visualização arquitetônica se torna uma ferramenta importante para transformar projetos em experiências que geram conexão com o público.

A combinação entre avanço das ferramentas de inteligência artificial e investimento em comunicação visual aponta para um mercado em que a disputa pela atenção do consumidor se dá tanto no conteúdo das respostas geradas pelos modelos quanto na capacidade de apresentar produtos de forma compreensível e persuasiva. Empresas que conseguem se posicionar nesses dois planos tendem a ter melhor desempenho em um ambiente cada vez mais digital e automatizado.

A transição do modelo de busca tradicional para o paradigma das respostas geradas por inteligência artificial ainda está em curso, mas os dados de adoção já indicam que o ponto de equilíbrio entre visibilidade, conteúdo e apresentação visual está mudando. Marcas que compreenderem essa nova dinâmica e investirem em formatos capazes de ser reconhecidos tanto por humanos quanto por sistemas automatizados estarão melhor posicionadas para os próximos anos.