Brasileiros lideram uso de inteligência artificial para decisões de investimento, aponta estudo global

O Brasil se destaca como um dos países que mais recorrem à inteligência artificial na hora de analisar e decidir investimentos, segundo um levantamento global divulgado recentemente. A pesquisa intitulada "State of AI for Wealth in 2026", realizada pela empresa BridgeWise, ouviu duas mil e cem pessoas em dezenove países e revelou que sessenta por cento dos brasileiros afirmam usar ferramentas de inteligência artificial com frequência para obter informações sobre aplicações financeiras. Esse índice fica consideravelmente acima da média mundial de quarenta e cinco por cento registrada no estudo, colocando o país na dianteira de um movimento que promete transformar a relação entre investidores e tecnologia.

Brasil à Frente na Revolução da Inteligência Artificial nos Investimentos - Imagem complementar

A BridgeWise é uma provedora de soluções de inteligência artificial voltadas para o mercado financeiro e atua em parceria com a B3, a bolsa de valores brasileira, oferecendo análises impulsionadas por modelos de linguagem de grande porte, ou seja, sistemas treinados com enorme volume de dados capazes de processar e gerar textos de forma contextualizada. O relatório, divulgado em meados de abril de 2026, consolida dados que apontam um ponto de inflexão definitivo na adoção dessas tecnologias no setor financeiro. Globalmente, 78,3 por cento dos entrevistados já utilizam alguma ferramenta de inteligência artificial para consultas relacionadas a investimentos, o que demonstra que a penetração dessas soluções deixou de ser um fenômeno restrito a nichos tecnológicos.

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O comportamento dos brasileiros reflete uma tendência histórica do país em adotar precocemente novas tecnologias. Seja nos setores de serviços bancários digitais, redes sociais ou aplicativos de transporte, a população brasileira costuma se mostrar receptiva a inovações que prometem praticidade e agilidade no dia a dia. No caso dos investimentos, essa adesão rápida ganha contornos relevantes porque envolve decisões que afetam diretamente o patrimônio das pessoas. Ao perguntar a um assistente virtual se determinado título de renda fixa vale a pena, o investidor brasileiro está transferindo para a inteligência artificial uma função que antes dependia quase exclusivamente de consultores, assessores ou horas de pesquisa própria.

Além do elevado índice de uso regular, a pesquisa da BridgeWise identificou outro dado significativo: 29,3 por cento dos entrevistados globais que ainda não utilizam inteligência artificial para pesquisa de investimentos afirmam que já confiam na precisão dessas ferramentas. Esse grupo foi classificado no relatório como os "crentes não alcançados", ou seja, pessoas que reconhecem o potencial da tecnologia, mas ainda não a incorporaram à sua rotina financeira. Para o mercado, esse contingente representa uma oportunidade expressiva de crescimento, já que a barreira principal não é de crença ou confiança, mas sim de acesso ou hábito.

Outro achado importante do estudo diz respeito ao que os pesquisadores chamaram de "grande migração da pesquisa". Segundo os dados, 65,1 por cento dos participantes indicaram que têm probabilidade de substituir a pesquisa manual de investimentos por ferramentas baseadas em inteligência artificial no próximo ano. Esse dado sugere que o processo de transição não é apenas uma tendência observada no presente, mas um movimento estrutural que deve se intensificar nos próximos doze meses. As implicações são amplas tanto para investidores individuais quanto para instituições financeiras que precisarão se adaptar a um cenário em que seus clientes chegam cada vez mais informados por sistemas automatizados.

Do ponto de vista tecnológico, as ferramentas de inteligência artificial aplicadas a investimentos funcionam a partir do processamento de grandes volumes de dados financeiros, como relatórios de empresas, indicadores macroeconômicos, notícias de mercado e padrões históricos de preço. Os modelos analisam essas informações e geram recomendações, comparações ou resumos que auxiliam o investidor na tomada de decisão. É importante ressaltar que tais sistemas não garantem resultados e estão sujeitos a limitações, como a qualidade dos dados disponíveis e a incapacidade de prever eventos imprevisíveis. A própria BridgeWise destaca que a inteligência artificial deve ser encarada como uma ferramenta complementar de apoio à decisão, e não como um substituto para o julgamento humano ou para o acompanhamento profissional especializado.

No contexto brasileiro, o uso de inteligência artificial para fins financeiros se soma a outro movimento relevante do mercado local. Segundo a Federação Brasileira de Bancos, os bancos brasileiros projetaram crescimento de 61 por cento nos investimentos em inteligência artificial, análise de dados e processamento de grandes volumes de informação no setor. Esse dado, extraído de pesquisa realizada com o apoio da consultoria Deloitte, reforça que as instituições financeiras do país estão preparando sua infraestrutura para atender a uma demanda crescente por serviços digitais mais sofisticados, o que inclui desde atendimento automatizado até recomendações de investimento personalizadas.

O nível de adesão brasileiro também pode ser compreendido à luz do perfil dos investidores do país. Grande parte dos investidores brasileiros de varejo tem perfil conservador a moderado e concentra suas carteiras em títulos de renda fixa, como certificados de depósito bancário, letras de crédito imobiliário e letras de crédito do agronegócio. Esse público, embora cauteloso em relação ao risco, demonstra disposição para utilizar tecnologia como forma de comparar taxas, prazos e condições oferecidos por diferentes instituições financeiras antes de aplicar seu dinheiro. Nesse cenário, a inteligência artificial atua como um facilitador da pesquisa, permitindo que o investidor cruze informações com mais rapidez e tome decisões mais informadas.

A BridgeWise mantém operações no Brasil e tem participado de eventos voltados ao ecossistema financeiro e tecnológico do país, como a conferência AInvest, realizada em solo brasileiro. A presença da empresa reforça a relevância do mercado brasileiro no mapa global de inteligência artificial aplicada a finanças. A parceria com a B3 para o fornecimento de análises automatizadas é outro indicador de que as plataformas nacionais estão se estruturando para oferecer recursos cada vez mais avançados aos seus usuários, integrando modelos de linguagem aos dados disponíveis na bolsa de valores.

Para os investidores, a tendência traz tanto possibilidades quanto desafios. A principal vantagem reside na democratização do acesso à informação financeira, que deixa de ser privilégio de quem pode pagar assessores especializados e passa a estar disponível por meio de interfaces simples e acessíveis. Por outro lado, é fundamental que o usuário mantenha senso crítico ao interpretar as respostas de sistemas automatizados, especialmente porque modelos de linguagem podem eventualmente gerar informações imprecisas ou desatualizadas. A recomendação de especialistas do setor financeiro é que a inteligência artificial seja utilizada como ponto de partida para a pesquisa, e não como verdicto final sobre onde alocar recursos.

Os dados do levantamento da BridgeWise sinalizam que o Brasil não apenas acompanha a tendência global de adoção de inteligência artificial no mercado financeiro, como a antecipa em diversos aspectos. Com sessenta por cento dos brasileiros já recorrendo a essas ferramentas com frequência, contra quarenta e cinco por cento da média mundial, o país se consolida como um terreno fértil para o desenvolvimento e a expansão de soluções baseadas em inteligência artificial voltadas à gestão de patrimônio. O próximo ano deverá ser determinante para acompanhar se a chamada grande migração da pesquisa se confirmará na prática e de que forma as instituições financeiras brasileiras responderão a essa mudança de comportamento dos investidores.