A OpenAI e a Microsoft renegociaram os termos de sua aliança estratégica, permitindo que a criadora do ChatGPT comercialize seus modelos de inteligência artificial por meio de outros provedores de nuvem. A mudança é fundamental porque encerra o período de exclusividade da Microsoft sobre a propriedade intelectual da startup, abrindo caminho para que concorrentes diretos ofereçam a tecnologia da OpenAI em suas próprias infraestruturas.
Até então, os modelos de linguagem da OpenAI estavam disponíveis apenas via Azure, a plataforma de nuvem da Microsoft. Com o novo acordo, a startup ganha liberdade para explorar relações comerciais com outras gigantes do setor, como a Amazon e o Google. A Microsoft mantém a posição de parceira preferencial de nuvens, mas a dependência da OpenAI em relação à sua estratégia de infraestrutura foi reduzida.
O CEO da Amazon Web Services, Andy Jassy, já confirmou que os modelos da OpenAI serão disponibilizados para clientes através do Bedrock, a plataforma de inteligência artificial da AWS, nas próximas semanas. Paralelamente, o Google também estuda os novos termos para avaliar a possibilidade de integrar as ferramentas da startup em seu ecossistema.
No aspecto financeiro, a OpenAI continuará repassando 20% de suas receitas para a Microsoft até o ano de 2030. No entanto, o novo contrato estabelece um teto máximo para esse pagamento, valor que não foi divulgado publicamente. Essa partilha de receitas ocorrerá independentemente de eventuais saltos tecnológicos da startup.
Em contrapartida, a Microsoft deixa de ser obrigada a pagar comissões sobre a receita obtida ao vender modelos da OpenAI dentro do Azure. Além disso, a empresa de Satya Nadella continua sendo uma das principais acionistas, detendo 27% da estrutura da OpenAI após a reestruturação societária que a tornou uma empresa com fins lucrativos.
A OpenAI mantém o compromisso de investir 250 bilhões de dólares em serviços de nuvem da Microsoft. Isso garante que, apesar da abertura para a concorrência, a infraestrutura do Azure continue sendo a base principal de processamento para o treinamento e execução dos modelos da startup.
Um ponto crítico resolvido na renegociação foi a cláusula sobre a inteligência artificial geral, conhecida como AGI. O acordo anterior previa que a partilha de receitas cessaria assim que a OpenAI atingisse a AGI, termo que define a capacidade de a máquina superar a inteligência humana. Como a definição de AGI era considerada vaga, a cláusula foi removida para evitar litígios judiciais.
Essa flexibilização também visa reduzir a pressão de órgãos reguladores na União Europeia, Estados Unidos e Reino Unido. A exclusividade anterior era alvo de escrutínio por questões antitruste, e a abertura do mercado pode facilitar a conformidade da Microsoft com as leis de concorrência globais.
Analistas indicam que essa nova configuração prepara a OpenAI para sua oferta pública inicial, o IPO, prevista para este ano. A redução de barreiras contratuais e a capacidade de diversificar provedores de nuvem tornam a empresa mais atraente para investidores do mercado de capitais.
Contudo, a fase de transição coincide com relatos de que a OpenAI não teria atingido metas internas de receita e de usuários ativos semanais para o fim de 2025. A diretora financeira, Sarah Friar, teria alertado sobre a dificuldade de crescer em ritmo suficiente para cobrir os altíssimos custos de computação.
O conselho de administração da startup teria questionado a insistência do CEO Sam Altman em expandir a capacidade de processamento enquanto o crescimento do negócio parece desacelerar. Em resposta, a diretoria da empresa classificou como ridícula qualquer sugestão de divisão interna ou conflito de gestão.
O cenário de instabilidade refletiu no mercado financeiro, com queda nas ações de parceiros como NVIDIA, Oracle e o grupo SoftBank. A NVIDIA fornece as GPUs essenciais para a IA, enquanto a Oracle e o SoftBank são parceiros estratégicos de infraestrutura e investimento para a OpenAI.