Os bancos brasileiros planejam investir R$ 2,97 bilhões em inteligência artificial, análise de dados e big data ao longo de 2026. O valor representa um aumento de 8% em relação ao ano anterior e foi revelado pelo segundo volume da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, divulgado durante o Febraban Tech, principal evento de tecnologia do setor financeiro brasileiro. A estimativa confirma a prioridade que as instituições financeiras do país têm dado às tecnologias de dados e inteligência artificial em suas estratégias de transformação digital.

A Febraban, Federação Brasileira de Bancos, é a entidade que representa o setor bancário nacional e conduz anualmente a pesquisa de tecnologia bancária, levantamento de referência para dimensionar os investimentos das instituições financeiras em infraestrutura, sistemas e inovação. Os números deste ano indicam que o ritmo de aporte segue acelerado, com destaque para as áreas ligadas a modelos de inteligência artificial e tratamento de grandes volumes de informações.

Bancos vão investir R$ 2,97 bi em IA e dados em 2026, diz Febraban - Imagem complementar

O levantamento trouxe também um dado relevante sobre infraestrutura: os investimentos em migração para nuvem devem alcançar R$ 3,9 bilhões em 2026, avanço anual de 30%. Esse percentual é significativamente superior ao crescimento previsto para as despesas com inteligência artificial e dados, o que mostra que a modernização da base tecnológica dos bancos acompanha a expansão das frentes de inovação.

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Os três eixos citados na pesquisa se complementam na prática. Inteligência artificial refere-se a sistemas capazes de executar tarefas que antes dependiam de intervenção humana, como análise de documentos, atendimento automatizado e detecção de padrões. Análise de dados, ou analytics, é o processamento de informações para gerar insights e orientar decisões de negócio. Já o termo big data descreve o tratamento de grandes volumes de dados, com velocidade e variedade que exigem arquiteturas específicas.

A computação em nuvem, por sua vez, consiste no uso de servidores remotos, geralmente operados por grandes provedores, para armazenar dados e executar aplicações. No setor bancário, a migração para esse modelo permite escalar operações com mais agilidade e reduzir a dependência de data centers próprios. Também oferece a capacidade de processamento necessária para treinar e operar modelos de inteligência artificial, o que ajuda a explicar o crescimento expressivo previsto para essa linha de investimento.

A relação entre as duas frentes de gastos é direta. Sem uma base em nuvem consolidada, os bancos enfrentam limitações para processar os volumes de dados exigidos por aplicações de inteligência artificial, como assistentes virtuais, motores de análise de crédito e sistemas de prevenção a fraudes. Por isso, o avanço de 30% na migração para nuvem funciona como alicerce para os R$ 2,97 bilhões destinados a inteligência artificial e dados.

O momento de divulgação também é significativo. Os números foram apresentados no Febraban Tech, evento que reúne executivos de tecnologia e negócios das instituições financeiras, além de fornecedores do setor, para discutir tendências em digitalização, segurança e automação. A escolha do palco reforça a centralidade do tema de dados e inteligência artificial na agenda do setor para os próximos anos.

Para profissionais de tecnologia, os números funcionam como termômetro do mercado. O sistema financeiro é reconhecido como um dos maiores contratadores de especialistas em dados, inteligência artificial e infraestrutura de nuvem no Brasil, em razão do volume de transações processadas diariamente e das exigências regulatórias sobre segurança e disponibilidade de sistemas. Investimentos da ordem de bilhões de reais sustentam a demanda por engenheiros de dados, cientistas de dados e arquitetos de nuvem nessas instituições.

A trajetória de crescimento dos aportes também merece atenção. Um aumento de 8% nos investimentos em inteligência artificial e dados, somado a uma alta de 30% na migração para nuvem, indica que o setor bancário mantém o compromisso orçamentário com tecnologia mesmo em um ambiente econômico que exige controle de custos em outras áreas das operações.

Outro ponto relevante é a forma como esses recursos se distribuem ao longo do ano. Por se tratarem de estimativas anuais divulgadas pela pesquisa da Febraban, os valores refletem o planejamento dos bancos para 2026 e podem acompanhar tanto aquisição de ferramentas quanto contratação de serviços e desenvolvimento interno de soluções.

A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, publicada em volumes ao longo do ano, é acompanhada de perto pelo mercado justamente por oferecer uma visão consolidada de onde o dinheiro da tecnologia bancária está sendo aplicado. A divisão do levantamento em partes permite que diferentes recortes do orçamento de tecnologia sejam divulgados conforme ficam disponíveis.

Somando as duas frentes detalhadas no segundo volume, os bancos brasileiros devem destinar cerca de R$ 6,9 bilhões apenas para inteligência artificial, dados e nuvem em 2026, sem contar outras linhas de investimento em tecnologia mapeadas pelo estudo.

No conjunto, os dados divulgados no Febraban Tech mostram um setor financeiro que segue ampliando sua base tecnológica, com a nuvem recebendo o maior volume de recursos e o maior ritmo de expansão, e a inteligência artificial mantendo crescimento sustentado na casa de um dígito. Para quem atua ou pretende atuar com tecnologia no mercado financeiro brasileiro, o cenário confirma que dados e computação em nuvem permanecem no centro das prioridades das instituições bancárias do país.