Meta lança modelo de IA leve para rodar em computadores pessoais

A Meta apresentou o Muse Glimmer, um novo modelo de inteligência artificial de pesos abertos voltado para execução de tarefas diretamente em computadores pessoais. O lançamento veio acompanhado de uma declaração do CEO da empresa, Mark Zuckerberg, defendendo a redução de restrições regulatórias nos Estados Unidos para esse tipo de tecnologia. Segundo a Reuters, a estratégia também considera o avanço de empresas chinesas no segmento, com a Meta buscando ampliar o acesso à inteligência artificial e fortalecer a posição americana nessa disputa.

Inteligencia Artificial em Nossas Mãos: Meta Lança Modelo Leve para Computadores Pessoais - Imagem complementar

O Muse Glimmer foi projetado para ser menor do que os principais modelos de empresas concorrentes. A proposta é executar tarefas de agentes em um computador Mac ou PC utilizando apenas uma placa gráfica. A ideia central é permitir que a IA funcione no próprio dispositivo, sem depender exclusivamente de grandes estruturas de computação em nuvem. Com isso, a Meta busca aproximar a inteligência artificial do usuário comum, em um formato que dispensa conexão constante com servidores externos.

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Zuckerberg também antecipou que modelos maiores estão a caminho. Em um vídeo que acompanhou o ensaio de 14 páginas intitulado "O futuro é para todos", o executivo afirmou que a empresa tem modelos ainda maiores chegando em breve. No texto, ele defendeu uma distribuição mais ampla da inteligência artificial e criticou a concentração do desenvolvimento dessa tecnologia nas mãos de poucas empresas.

Os modelos de pesos abertos ganharam relevância por serem mais baratos do que os principais sistemas da OpenAI e da Anthropic. Seus componentes centrais podem ser acessados publicamente e personalizados, ao contrário dos modelos fechados, que permanecem restritos às empresas que os desenvolvem. Entre os exemplos de modelos abertos estão o Kimi K3, da Moonshot, o Qwen3.8-Max, da Alibaba, e o V4-Flash, da DeepSeek.

O interesse por esse tipo de tecnologia ocorre em meio a incidentes de cibersegurança envolvendo modelos de Anthropic, OpenAI e Meta. A plataforma Hugging Face, utilizada para colaboração em programação, foi atacada por um modelo da OpenAI e recorreu a um modelo chinês de pesos abertos para se defender. Enquanto startups chinesas avançam nesse segmento, os principais modelos da OpenAI, Anthropic e Google continuam fechados ao público.

A Meta planeja liberar os pesos do Muse Spark 1.2, considerado seu modelo mais avançado. A empresa também anunciou a criação de um fundo de US$ 1 bilhão, aproximadamente R$ 5,08 bilhões, destinado a apoiar comunidades afetadas pela expansão de data centers. A companhia prevê gastar até US$ 145 bilhões, cerca de R$ 736 bilhões, em infraestrutura de inteligência artificial neste ano. Ao mesmo tempo, cresce a oposição local nos Estados Unidos à construção dessas estruturas.

No campo regulatório, Zuckerberg defendeu mudanças nas políticas americanas sobre uso de dados e destilação, técnica que utiliza resultados de um sistema mais poderoso para treinar um modelo menor. Segundo o executivo, laboratórios estrangeiros atualmente têm várias vantagens nesse aspecto, já que os laboratórios americanos precisam cumprir restrições adicionais sobre dados de treinamento. A Meta também pretende criar uma estrutura de governança que permita a diretores independentes aprovar critérios de segurança antes do lançamento de novos modelos.

Para Zuckerberg, reduzir essas barreiras é fundamental para que os sistemas americanos de pesos abertos consigam competir em igualdade de condições com os modelos chineses, que já avançam no mercado global de inteligência artificial.