Samsung supera estimativas com lucro recorde impulsionado por demanda de chips para inteligência artificial
A Samsung Electronics registrou no segundo trimestre de 2026 um lucro operacional acima das expectativas do mercado, sustentado principalmente pela forte demanda por chips de memória voltados a aplicações de inteligência artificial. O resultado reflete o aquecimento do mercado de servidores de IA, que levou a divisão de memórias da fabricante sul-coreana a alcançar volumes históricos de vendas.
De acordo com os números divulgados pela companhia, o lucro operacional do período foi de 89,5 trilhões de wons, o equivalente a aproximadamente R$ 318,9 bilhões, valor que superou a estimativa de 88,1 trilhões de wons (cerca de R$ 314 bilhões) compilada pela LSEG SmartEstimates. Já a receita ficou em 171,5 trilhões de wons (R$ 611,1 bilhões), ligeiramente abaixo da projeção de 172,6 trilhões de wons (R$ 615,2 bilhões). Após a divulgação do balanço, as ações da Samsung subiram cerca de 1,6% nas negociações da manhã de quinta-feira na bolsa da Coreia do Sul.
O desempenho trimestral representa um salto expressivo em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro operacional cresceu 1.814% na comparação anual, enquanto a receita avançou 130%. Em relação ao primeiro trimestre de 2026, o lucro aumentou mais de 56% e a receita registrou alta superior a 28%. A empresa destacou que tanto o lucro quanto a receita ficaram alinhados com a projeção preliminar divulgada no início do mês.
A estratégia de antecipar o atendimento à crescente demanda por servidores de inteligência artificial foi apontada pela Samsung como o principal fator por trás do resultado recorde da divisão de memória. Esse posicionamento permitiu à companhia alcançar os maiores volumes de vendas já registrados em suas linhas de memórias DRAM e NAND, que são tipos de chips usados para armazenar dados de forma temporária e permanente, respectivamente, em servidores, computadores e dispositivos eletrônicos.
Além do crescimento nas vendas de memórias tradicionais, a Samsung informou que ampliou a comercialização da memória de alta largura de banda HBM4, tecnologia essencial para o processamento de cargas de trabalho em inteligência artificial por permitir a transferência acelerada de grandes volumes de dados entre processadores. A empresa também enviou as primeiras amostras da próxima geração, a HBM4E, para grandes clientes do setor, sinalizando a continuidade dos investimentos em inovação dentro do segmento.
Para a segunda metade do ano, a Samsung projeta que a demanda por memórias continue elevada, especialmente para aplicações em servidores, sustentada pelos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. A companhia também espera que a adoção mais ampla de agentes de IA, sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma, continue impulsionando os aportes em infraestrutura tecnológica. Nesse cenário, a fabricante prevê crescimento da procura por memórias DRAM voltadas a servidores, unidades eSSD, que são SSDs de alta capacidade usados em data centers, e soluções da família HBM.
Na semana anterior à divulgação dos resultados, a Samsung apresentou sua nova linha de smartphones dobráveis e anunciou a ampliação de sua colaboração estratégica com a Broadcom. A parceria envolve tecnologias de memória e de fabricação de semicondutores, áreas consideradas estratégicas para a expansão da companhia no mercado de inteligência artificial.
O bom momento do setor de memórias para IA não se limita à Samsung. A rival sul-coreana SK Hynix também divulgou lucro recorde no segundo trimestre na véspera da publicação dos números da Samsung. No entanto, o resultado da concorrente ficou abaixo das expectativas dos analistas, o que levou suas ações a recuarem cerca de 10% nas negociações. A diferença de reação do mercado evidencia como o segmento de memórias para inteligência artificial segue em expansão, com players tradicionais competindo pela liderança no fornecimento de componentes essenciais para a próxima geração de servidores e data centers dedicados à IA.
O conjunto dos resultados confirma que a inteligência artificial deixou de ser apenas uma tendência tecnológica e se tornou o principal motor de crescimento da indústria de semicondutores, com efeitos diretos sobre as receitas, investimentos e estratégias de grandes fabricantes globais de chips.