Como a inteligência artificial está redesenhando as fronteiras entre profissões

A OpenAI publicou recentemente um estudo que mostra como o uso do ChatGPT está fazendo com que trabalhadores assumam tarefas que tradicionalmente pertencem a outras áreas profissionais. O relatório, intitulado "Work at the Frontier: How AI is Expanding What People Do at Work", faz parte de uma nova série de pesquisas econômicas da empresa e apresenta o conceito de "task crossover", ou cruzamento de tarefas, descrito como o trabalho historicamente associado a uma ocupação passando a aparecer no uso de inteligência artificial feito por pessoas de outra profissão.

O Futuro do Trabalho: Como a Inteligência Artificial Está Redesenhoando as Fronteiras Profissionais - Imagem complementar

A análise foi construída a partir de mensagens relacionadas ao trabalho enviadas por usuários do ChatGPT, o que permite observar como a composição das tarefas está mudando na prática. Os dados sugerem que muitas profissões podem se reorganizar, com alterações significativas em suas atividades cotidianas. Esse cenário está alinhado com o que a própria OpenAI havia proposto em seu framework anterior, o AI Jobs Transition Framework, que apontava para uma transformação nas funções profissionais.

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Entre os resultados, os trabalhadores da área de experiência do cliente lideram o índice de cruzamento de tarefas, com 77% dos prompts (comandos enviados ao chatbot) específicos da sua ocupação envolvendo atividades de outra profissão. Logo aparecem os designers, com 75%, seguidos pelos profissionais de recursos humanos, com 69%. Na sequência, estão os trabalhadores da área jurídica, com 56%, e os profissionais de marketing, com 53%. Os engenheiros apresentam a menor taxa de cruzamento, 28%, mas as tarefas ligadas à engenharia são justamente as que se espalham com mais intensidade para outras áreas, aparecendo em 7,4% das mensagens enviadas por profissionais de fora desse campo.

O relatório destaca ainda que as tarefas de marketing e engenharia viajam para o maior número de ocupações diferentes, aparecendo com frequência em mensagens de profissionais que atuam em outras áreas. Os pesquisadores sugerem que usuários com uso moderado da ferramenta, especialmente em organizações menores, recorrem à inteligência artificial quando se deparam com demandas que normalmente exigiriam outro setor. Já os usuários mais intensos podem ter desenvolvido fluxos de trabalho estáveis com apoio da IA, com padrões mais semelhantes entre diferentes organizações, ou concentram o uso da ferramenta dentro de sua própria área de atuação.

Outra conclusão relevante do estudo é que a inteligência artificial pode funcionar como uma ferramenta generalista, ou seja, capaz de apoiar diferentes tipos de atividades, especialmente em contextos onde recursos especializados são escassos. A pesquisa também aponta que a fronteira entre ocupações pode estar se tornando mais fluida, à medida que o uso da ferramenta facilita a execução de tarefas que antes exigiam conhecimentos específicos de determinada área.

O relatório marca o início da série Work at the Frontier, que pretende acompanhar de forma contínua as mudanças no comportamento profissional provocadas pela adoção da inteligência artificial. A proposta é utilizar dados comportamentais em nível de plataforma, analisando as transformações nas tarefas à medida que acontecem, antes que essas mudanças se consolidem em estatísticas oficiais sobre emprego. Segundo a OpenAI, se a tendência de cruzamento de tarefas persistir e se aprofundar, deverá eventualmente aparecer em pesquisas salariais, em dados de ofertas de emprego e em estatísticas ocupacionais, embora já chegue a esses registros como uma realidade consolidada.