IBM reverte cenário positivo e vê receita de mainframes despencar 42% no segundo trimestre
A IBM registrou um desempenho negativo no segundo trimestre de 2026, divulgado nesta quarta-feira (22), confirmando as preocupações que o mercado financeiro já demonstrava nas semanas anteriores. A companhia reportou receita de 17,2 bilhões de dólares, o equivalente a aproximadamente 87,2 bilhões de reais, com lucro bruto de 9,9 bilhões de dólares, cerca de 50,2 bilhões de reais, e margens próximas de 58%. O lucro líquido ficou em 2,2 bilhões de dólares, cerca de 11,1 bilhões de reais, porém aquém do que Wall Street projetava.
O resultado frustrou as expectativas a ponto de provocar uma reação considerada sem precedentes na história da empresa. O diretor-presidente da IBM, Arvind Krishna, e o conselho de administração optaram por publicar uma carta aberta aos investidores na semana anterior ao anúncio oficial, alertando que o desempenho havia ficado abaixo das metas internas. A estratégia não evitou o tombo na bolsa: no dia seguinte à divulgação da carta, as ações da IBM despencaram 25%, marcando a maior queda em um único pregão registrada pela companhia em toda a sua trajetória no mercado de capitais.
Até então, os papéis vinham apresentando valorização acumulada ao longo dos seis anos de gestão de Krishna, período em que o boom de data centers voltados à inteligência artificial beneficiou amplamente o setor de tecnologia. O cenário atual representa, portanto, uma reversão expressiva da narrativa de crescimento que acompanhava a empresa.
Junto com o balanço trimestral, a IBM reduziu suas projeções de crescimento para o ano inteiro, o que indica que os efeitos do mau resultado devem se estender pelos próximos meses. O segmento de infraestrutura foi apontado como o principal responsável pelo desempenho negativo, com destaque para a queda de 42% nas vendas de mainframes, os tradicionais computadores de grande porte utilizados em ambientes corporativos para processamento de alto volume de dados e transações críticas.
O impacto é ainda mais relevante quando se considera o efeito cascata sobre outras áreas de negócio. De acordo com o diretor financeiro da IBM, Jim Kavanaugh, a empresa gera três dólares em receita de software para cada dólar vendido em hardware de mainframe. Considerando a cotação apresentada no texto original, isso equivale a cerca de 15,21 reais em software para cada 5,07 reais em hardware, proporção que evidencia o quanto o atraso na renovação desses equipamentos pode comprometer o faturamento global da companhia.
Krishna explicou que dezenas de clientes que estavam previstos para adquirir novos mainframes no trimestre optaram por não concretizar a compra. Cada mainframe tem custo que varia de centenas de milhares a milhões de dólares, e os contratos de manutenção e software associados podem elevar significativamente o valor total de cada operação. Esses clientes, segundo o executivo, redirecionaram seus orçamentos para outras categorias de hardware diante de aumentos de preços entre 15% e 30% em equipamentos de data center e computadores pessoais, elevação atribuída diretamente ao crescimento da infraestrutura de inteligência artificial.
Fabricantes como Dell e HP já haviam sinalizado reajustes em componentes como memórias em razão do mesmo fenômeno, e a própria Apple comunicou ajustes semelhantes em sua linha de produtos. Krishna destacou que, ao se depararem com esse cenário de alta, os clientes decidiram deslocar os recursos para as áreas onde enfrentavam os aumentos mais extremos de preço, o que acabou prejudicando as vendas de mainframes da IBM.
Apesar do resultado negativo, tanto Krishna quanto Kavanaugh afirmaram durante a chamada com investidores que o problema é passageiro. O diretor-presidente garantiu que esses clientes ainda pretendem adquirir os novos mainframes, junto com os contratos de software vinculados, e que parte deles já concretizou a compra no trimestre atual. Segundo Krishna, não há qualquer evidência de migração definitiva para outras plataformas, e a demora na decisão de compra estaria ligada exclusivamente à realocação de orçamento.
A indústria de tecnologia há décadas prevê o desaparecimento do mainframe diante da evolução dos sistemas distribuídos e da computação em nuvem. Resta saber se a promessa de recuperação será confirmada nos próximos trimestres ou se o trimestre ruim de 2026 marcará o início de uma nova fase para esse segmento clássico da informática corporativa.