Amazon realiza demissões em unidade de inteligência artificial geral e amplia reestruturação
A Amazon confirmou demissões em sua unidade responsável pelo desenvolvimento da chamada inteligência artificial geral, conhecida pela sigla AGI, que representa o objetivo de criar sistemas capazes de executar tarefas variadas com competência equivalente ou superior à humana. A empresa não revelou o número exato de funcionários afetados nem detalhou quais áreas internas foram mais expostas aos cortes.
Em comunicado enviado à rede de televisão CNBC, a companhia afirmou que o setor de tecnologia avança com rapidez e que é necessário concentrar recursos nas iniciativas mais relevantes para os consumidores. Segundo a empresa, esse processo de priorização envolve decisões difíceis, como a eliminação de cargos em partes da organização de AGI, mesmo com a manutenção de investimentos nas frentes consideradas estratégicas para o futuro.
As demissões foram inicialmente reportadas pela agência Reuters. Em seguida, a CNBC identificou publicações no LinkedIn que sugerem que áreas de customização de modelos e pós-treinamento estão entre as afetadas pelos cortes. Essas etapas são fundamentais no desenvolvimento de modelos de inteligência artificial, pois envolvem ajustes finos e a especialização dos sistemas para diferentes aplicações.
Desde outubro de 2025, a Amazon já desligou cerca de 30 mil funcionários em diferentes áreas da companhia. Embora as saídas tenham continuado nos meses seguintes, o ritmo diminuiu e os cortes passaram a ocorrer em escala mais reduzida, sem grandes rodadas de demissões em massa como as registradas anteriormente.
Apesar da reestruturação, a gigante do comércio eletrônico anunciou um plano robusto de investimentos para 2026, com aporte previsto de 200 bilhões de dólares, equivalentes a mais de um trilhão de reais em conversão direta. A maior parte desse recurso será direcionada à expansão de data centers, infraestrutura essencial para sustentar o treinamento e a operação de modelos avançados de inteligência artificial.
O conceito de AGI está entre os grandes objetivos do setor de tecnologia, embora ainda não exista consenso sobre quais critérios técnicos deveriam ser cumpridos para que um modelo seja considerado uma inteligência artificial verdadeiramente geral. Mesmo assim, empresas como a Amazon, Google, Meta e OpenAI dedicam equipes e investimentos significativos na busca por esse tipo de sistema.
Nos últimos meses, a Amazon perdeu dois nomes importantes de sua liderança na área de AGI. Rohit Prasad deixou a companhia em dezembro de 2025, enquanto David Luan saiu em fevereiro de 2026. As saídas ocorrem em um momento em que a empresa tenta reorganizar suas prioridades internas no campo da inteligência artificial.
Em entrevista recente, Peter DeSantis, vice-presidente sênior responsável pelas estratégias de IA, chips e computação quântica na Amazon, reconheceu que a companhia não tem ocupado a vanguarda da inteligência artificial quando o assunto são as demandas de trabalho mais exigentes do mercado. A declaração sugere um esforço de reposicionamento estratégico em meio à concorrência intensa com outras grandes empresas de tecnologia.
O cenário reflete um movimento mais amplo da indústria, em que companhias do setor de tecnologia reavaliam estruturas, investimentos e prioridades diante do ritmo acelerado de evolução da inteligência artificial. No caso da Amazon, a combinação entre cortes de pessoal, mudanças na liderança e aportes bilionários em infraestrutura indica uma tentativa de reposicionar a empresa na disputa pelo desenvolvimento de tecnologias cada vez mais avançadas.