A inteligência artificial se expande além das Sete Magníficas no mercado americano

Durante os últimos três anos, as Sete Magníficas — grupo formado por Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta, Nvidia e Tesla — se consolidaram como o principal símbolo da transformação do mercado acionário americano. Essas empresas concentravam boa parte do crescimento do índice S&P 500, principal referência da bolsa de valores dos Estados Unidos, e foram vistas como as grandes responsáveis por traduzir em resultados financeiros a expansão da inteligência artificial.

IA Além das Fronteiras: Como a Inteligência Artificial Está Redefinindo o Mercado Acionário Americano - Imagem complementar

No entanto, uma análise recente do Citi, um dos maiores bancos americanos, aponta que essa concentração de valor nas grandes empresas de tecnologia já não é mais suficiente para explicar a dinâmica do setor. Para a equipe de estrategistas do banco, a inteligência artificial se tornou grande demais para que seu crescimento continue restrito a apenas sete companhias.

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A avaliação do Citi sugere que a inteligência artificial se expandiu para além das Sete Magníficas, com o mercado começando a identificar novos vencedores nesse processo. Essa percepção reforça a ideia de que os benefícios da transformação tecnológica estão se distribuindo por uma gama mais ampla de empresas, e não se limitando apenas às gigantes da tecnologia.

Para sustentar essa conclusão, o Citi introduziu o conceito de "growth cluster", uma expressão em inglês que pode ser traduzida como agrupamento de crescimento. Trata-se de uma cesta mais ampla de companhias de crescimento, distribuída em seis setores da economia, que passou a representar cerca de metade do valor de mercado do S&P 500. De acordo com o banco, esse agrupamento teve desempenho superior ao das Sete Magníficas no período analisado.

O resultado dessa comparação indica que a revolução da inteligência artificial não é mais exclusividade dos grandes nomes da tecnologia. Outras empresas, de segmentos variados, também vêm se beneficiando do avanço da inteligência artificial e contribuindo para o crescimento do mercado como um todo.

A mudança de interpretação tem implicações importantes para a forma como investidores e analistas avaliam o mercado acionário americano. Até então, a performance do S&P 500 e a expansão da inteligência artificial eram frequentemente associadas diretamente ao desempenho das Sete Magníficas. Com a nova leitura proposta pelo Citi, essa relação se torna mais complexa e exige uma análise mais diversificada.

Em nota distribuída a clientes, os estrategistas do Citi escreveram que as "Magnificent 7", como o grupo é conhecido em inglês, morreram como construção para avaliar a dinâmica de crescimento entre as empresas de maior capitalização. A declaração marca uma ruptura com a narrativa que predominou nos últimos anos e sinaliza uma nova fase na relação entre inteligência artificial e mercado financeiro.

A própria composição do "growth cluster" reflete essa diversificação. Ao reunir empresas de seis setores distintos, a análise do Citi reconhece que o impacto da inteligência artificial ultrapassa as fronteiras da indústria de tecnologia e atinge companhias de áreas como serviços financeiros, saúde, energia, entre outras que também vêm incorporando soluções baseadas em IA em seus negócios.

Esse movimento sugere que o mercado está entrando em um estágio mais maduro da revolução da inteligência artificial. Se na fase inicial os ganhos ficaram concentrados nas empresas que desenvolvem a infraestrutura e os modelos de IA, agora os benefícios começam a se espalhar por companhias que utilizam essa tecnologia para melhorar produtos, processos e serviços.

Para o Citi, a consequência prática dessa mudança é que investidores precisam repensar a forma como identificam oportunidades de crescimento ligadas à inteligência artificial. Olhar exclusivamente para as Sete Magníficas pode significar ignorar empresas que também estão capturando valor gerado pela transformação tecnológica em curso.

A análise do banco americano, portanto, reforça que a inteligência artificial deixou de ser um fenômeno de poucas empresas para se tornar uma força que atravessa diferentes setores da economia. O desafio passa a ser identificar, dentro desse universo ampliado, quais são as companhias que conseguirão transformar essa revolução em crescimento sustentável e duradouro nos próximos anos.