Inteligência artificial deve sustentar mais uma temporada de resultados nos Estados Unidos, segundo projeção do Goldman Sachs

A inteligência artificial voltará a ser o principal motor da próxima temporada de resultados corporativos nos Estados Unidos. Essa é a avaliação do Goldman Sachs, que projeta um aumento de 22% no lucro por ação agregado do S&P 500 — índice que reúne as 500 maiores empresas negociadas na bolsa americana — no segundo trimestre de 2026. Caso a estimativa se confirme, será o maior crescimento em um período de cinco anos.

Inteligência Artificial Impulsiona Lucros no Mercado Americano com Crescimento Recorde de 22 por Cento - Imagem complementar

De acordo com o banco, as empresas de infraestrutura de inteligência artificial serão responsáveis por quase 60% dessa expansão de lucros. O termo infraestrutura de IA se refere às companhias que fornecem a base tecnológica necessária para o funcionamento de sistemas de inteligência artificial, incluindo fabricantes de chips, fornecedores de servidores e operadores de grandes data centers, que são instalações físicas repletas de computadores usados para processar e armazenar grandes volumes de dados.

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O título da reportagem do NeoFeed, que traz os dados do relatório, destaca a Nvidia e a Micron como principais beneficiárias dessa tendência. A Nvidia é reconhecida como uma das maiores fabricantes de chips voltados ao processamento de inteligência artificial, enquanto a Micron atua na produção de memórias e semicondutores, que são componentes eletrônicos essenciais para o funcionamento de equipamentos computacionais. Ambas são apontadas como peças centrais no ciclo de investimentos em IA que vem sustentando o desempenho do mercado americano.

Em relatório divulgado recentemente, o Goldman Sachs revisou para cima sua projeção de lucros para o S&P 500 ao longo do ano, passando a estimar um crescimento de 24% em relação ao ano anterior. O banco também elevou sua estimativa de preço-alvo para o índice ao final do ano, saltando de 7.600 para 8.000 pontos. O preço-alvo é o valor que o banco projeta que o índice alcançará em um determinado período, servindo como referência para investidores avaliarem o potencial de valorização do mercado.

A revisão reflete a confiança do Goldman Sachs no papel da inteligência artificial como geradora de receita e produtividade para grandes empresas de tecnologia. Os investimentos bilionários realizados por gigantes do setor em data centers, chips especializados e modelos de linguagem continuam aquecendo a demanda por componentes e serviços ligados ao ecossistema de IA.

O cenário, no entanto, não é uniforme. A análise do Goldman Sachs aponta que nem todos os setores se beneficiam igualmente desse movimento. Empresas que não estão diretamente ligadas à cadeia de inteligência artificial tendem a apresentar crescimento mais modesto, o que reforça a concentração dos ganhos em um número relativamente pequeno de companhias. Essa disparidade tem implicações relevantes para a composição do índice, uma vez que algumas empresas exercem influência desproporcional sobre o desempenho agregado do S&P 500.

A perspectiva do banco também chama atenção para o fato de que o ciclo de investimentos em IA, embora robusto, começa a gerar efeitos colaterais relevantes. O aumento dos gastos de capital das grandes empresas de tecnologia, conhecido como capex, vem elevando os custos de depreciação, que correspondem ao desgaste contábil dos equipamentos ao longo do tempo. Essa pressão tende a se intensificar nos próximos anos, o que pode reduzir parcialmente os ganhos observados no curto prazo.

Apesar disso, o Goldman Sachs mantém uma visão construtiva sobre o impacto da inteligência artificial nos resultados corporativos. Para o banco, mesmo diante dos custos crescentes, o volume de receitas geradas por produtos e serviços baseados em IA compensa os investimentos elevados, sustentando a expansão dos lucros ao longo dos próximos trimestres.

A movimentação do Goldman Sachs ocorre em um momento de atenção redobrada do mercado financeiro ao desempenho das grandes empresas de tecnologia. Analistas e investidores acompanham de perto os números que serão divulgados na próxima temporada de resultados para confirmar se o otimismo em torno da inteligência artificial se traduz, de fato, em crescimento consistente nos balanços das companhias. A confirmação das projeções do banco pode reforçar a narrativa de que a IA deixou de ser apenas uma promessa tecnológica para se consolidar como pilar central da economia digital e do mercado de capitais global.