Aviva utiliza inteligência artificial para combater 230 milhões de libras em fraudes de seguros

A seguradora britânica Aviva identificou um valor recorde de 230 milhões de libras em reclamações fraudulentas de seguros e passou a adotar ferramentas de inteligência artificial para enfrentar um problema que cresce em escala e sofisticação. Os criminosos deixaram de lado os métodos tradicionais e agora empregam os mesmos recursos de IA generativa disponíveis no mercado para fabricar provas, documentos e até cenários de acidentes altamente convincentes.

Inteligência Artificial na Linha de Frente: Aviva Combate 230 Milhões de Libras em Fraudes de Seguros com Tecnologia Avançada - Imagem complementar

De acordo com os dados divulgados pela empresa, a natureza das fraudes ficou mais elaborada e difícil de ser detectada apenas pela observação humana. A Aviva decidiu responder à altura, desenvolvendo seu próprio sistema de defesa baseado em inteligência artificial, capaz de operar na mesma velocidade e escala da ameaça.

PUBLICIDADE

O novo cenário da fraude em seguros é marcado pelo uso de IA generativa para criar imagens detalhadas de cenas de acidentes automobilísticos. Essas imagens vão muito além de edições grosseiras em programas de edição. Elas reproduzem com realismo elementos que enganam até mesmo analistas experientes que precisam lidar com um grande volume de casos diariamente. A mesma tecnologia é empregada para gerar documentos falsos, como notas fiscais de reparos que nunca foram realizados e laudos médicos sem qualquer fundamento.

A consequência prática é que fraudadores individuais ou grupos pequenos conseguem produzir, sozinhos e sem sair de casa, a documentação necessária para dar suporte a dezenas de pedidos de indenização de alto valor. Para isso, basta uma assinatura em um serviço de IA e um pouco de criatividade. O sistema se encarrega do restante, entregando materiais com aparência oficial que podem passar por uma análise superficial.

Diante desse cenário, a Aviva construiu uma solução de IA que realiza reconhecimento de padrões em larga escala. O sistema analisa milhões de pontos de dados provenientes de reclamações atuais e anteriores, aprendendo continuamente como é uma solicitação legítima e, principalmente, identificando os sinais que indicam comportamento suspeito.

Quando uma nova reclamação é registrada, o sistema cruza uma grande quantidade de informações em questão de segundos. Ele verifica se os danos mostrados nas fotos são compatíveis com a física do acidente descrito, se os registros de data e hora dos documentos fazem sentido, se a placa do veículo aparece em outras solicitações suspeitas e se os valores de reparo cobrados estão dentro da média registrada em milhares de casos semelhantes no banco de dados. Trata-se de um nível de análise forense impossível de ser executado manualmente em todas as milhares de solicitações recebidas por dia.

Parte dos 230 milhões de libras identificados está relacionada a crimes organizados, mas uma fatia significativa vem do que o setor chama de "inflação de reclamações". Esse tipo de fraude mais comum ocorre quando segurados ou prestadores de serviço inflam os valores cobrados. Um exemplo é uma oficina que adiciona consertos desnecessários a um orçamento, ou um cliente que exagera o valor de itens supostamente roubados.

Nesse caso, a inteligência artificial também se mostra uma ferramenta eficiente. Ao analisar grandes conjuntos de dados sobre custos de reparo e valores de mercado, o sistema consegue identificar imediatamente quando um preço cobrado se distancia da média. A IA compara o valor de uma peça de reposição cobrado por uma oficina com a média registrada em centenas de outras oficinas da mesma região, considerando a marca e o modelo do veículo.

A Aviva esclarece que o objetivo da inteligência artificial não é negar pedidos de indenização de forma automática. A ferramenta funciona como um recurso de apoio aos investigadores humanos, atuando como um filtro que separa os casos mais prováveis de fraude do restante. Essa abordagem, conhecida como "humano no loop" (em que a decisão final permanece com uma pessoa), é considerada essencial para garantir equidade e evitar que o sistema se torne uma caixa-preta capaz de tomar decisões sem supervisão.

A estratégia adotada pela Aviva pode servir de referência para outras empresas que lidam diretamente com consumidores na era da IA generativa. A mesma tecnologia que viabiliza fraudes cada vez mais convincentes também se mostra a forma mais eficaz de combatê-las. Em um ambiente em que se torna mais simples falsificar identidades, documentos e notas fiscais, a única defesa viável é um sistema inteligente capaz de aprender, se adaptar e identificar enganos em uma escala que humanos, sozinhos, não conseguem acompanhar.