A Anthropic, empresa de inteligência artificial criadora do assistente Claude, alcançou uma avaliação de 965 bilhões de dólares após levantar 65 bilhões de dólares em uma nova rodada de financiamento, ultrapassando a OpenAI e se tornando a startup de IA mais valiosa do planeta. O marco representa uma mudança significativa na liderança de um mercado que, até então, tinha a empresa de Sam Altman como figura dominante. A rodada de investimentos, anunciada como Série H, foi liderada por nomes de peso do capital de risco, como Altimeter Capital, Sequoia Capital, Greenoaks e Dragoneer. Com o resultado, a Anthropic se aproxima do patamar de um trilhão de dólares, um território até então reservado a gigantes de capital aberto.

Para dimensionar o tamanho da virada, basta olhar para os números da própria OpenAI. A empresa responsável pelo ChatGPT registrou uma avaliação de 852 bilhões de dólares ao final de março, após captar 122 bilhões de dólares em investimentos. A diferença entre as duas avaliações, que agora ultrapassa 110 bilhões de dólares, evidencia o ritmo acelerado com que a Anthropic vem ganhando tração entre investidores e fundos de capital de risco. Ambas as empresas disputam não apenas a liderança tecnológica no segmento de modelos de linguagem, mas também o favorito dos mercados financeiros com vistas a futuras aberturas de capital.

Anthropic supera OpenAI e se torna a startup de IA mais valiosa do mundo - Imagem complementar

A trajetória de valorização da Anthropic em 2026 é particularmente expressiva. Em fevereiro, a empresa fundada pelos irmãos Dario e Daniela Amodei era avaliada em 380 bilhões de dólares, um número que já era considerado elevado para uma startup. Em apenas três meses, essa cifra praticamente triplicou, saltando para os 965 bilhões de dólares atuais. O crescimento reflete tanto o apetite dos investidores por empresas de inteligência artificial quanto a confiança no modelo de negócios e na trajetória de receita da Anthropic.

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A empresa aproveitou o anúncio da nova rodada para divulgar que sua taxa de crescimento anual de receitas ultrapassou 47 bilhões de dólares em maio. O número indica que a valorização não se sustenta apenas em projeções e expectativas, mas também em uma base de comercialização em franca expansão. A Anthropic monetiza seus modelos de linguagem por meio de assinaturas do Claude para consumidores e empresas, além de oferecer acesso por meio de interfaces de programação para desenvolvedores e corporações.

Paralelamente ao crescimento financeiro, a Anthropic também está realizando investimentos pesados em infraestrutura de computação. A empresa assinou um acordo com a SpaceX, empresa de Elon Musk, para utilizar seus centros de dados chamados Colossus. Segundo informações divulgadas, a Anthropic pagará 1,25 bilhão de dólares por mês à SpaceX até maio de 2029. O compromisso ilustra a dimensão dos custos operacionais envolvidos no treinamento e na operação de modelos de linguagem de grande porte, que demandam quantidades massivas de poder de processamento gráfico.

A comparação com empresas de capital aberto ajuda a situar a dimensão do valor alcançado pela Anthropic. Com 965 bilhões de dólares, a empresa se posicionaria entre as 15 maiores capitalizações de mercado do mundo, ficando entre a farmacêutica Eli Lilly, avaliada em 1,004 trilhão de dólares, e a varejista Walmart, com 947,75 bilhões de dólares. No setor de tecnologia, a avaliação da Anthropic já supera empresas consolidadas como AMD, Intel e Oracle, com capitalizações de 844,79 bilhões, 607,59 bilhões e 585,85 bilhões de dólares, respectivamente.

A rivalidade entre Anthropic e OpenAI tem raízes que vão além da competição comercial. A Anthropic foi fundada por ex-engenheiros e pesquisadores da própria OpenAI que decidiram criar uma empresa com foco em segurança e alinhamento de inteligência artificial. Sob a liderança de Dario Amodei, que atuou como vice-presidente de pesquisa na OpenAI, a empresa construiu o Claude como uma alternativa ao ChatGPT, com ênfase em respostas mais cuidadosas e controladas. Nos últimos meses, os dois assistentes têm disputado a preferência de usuários e desenvolvedores em diferentes frentes, como programação, análise de dados, criação de conteúdo e automação de tarefas.

O cenário atual do mercado de inteligência artificial é marcado por uma competição intensa entre poucos players. Além da Anthropic e da OpenAI, o Google também disputa espaço com o Gemini, seu modelo de linguagem integrado ao ecossistema Android e aos serviços de busca. Apesar de apresentar resultados competitivos em diversas tarefas e contar com preços mais acessíveis, o Google ainda não conseguiu se equiparar ao protagonismo das duas rivais diretas. O mercado aguarda ainda os próximos movimentos de cada empresa, incluindo possíveis aberturas de capital que podem redefinir a dinâmica competitiva do setor.

A escalada da Anthropic também reacende o debate sobre a sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial. Os valores envolvidos nas rodadas de financiamento, os compromissos bilionários com infraestrutura de computação e as avaliações que rivalizam com as maiores empresas do mundo levantam questões sobre quando e como essas empresas começarão a gerar lucro consistente. No caso da Anthropic, sinais de que a empresa está próxima de atingir a lucratividade em um trimestre recente foram mencionados por analistas, embora números oficiais ainda não tenham sido divulgados. Em contraste, a OpenAI enfrenta um cenário financeiro mais desafiador, com custos operacionais elevados e um caminho ainda incerto rumo à rentabilidade.

Enquanto isso, a Anthropic prepara o lançamento de novos modelos e funcionalidades. O Claude tem se expandido para áreas como controle de computadores por meio de mouse e teclado, e a empresa trabalha na liberação de novos modelos com capacidades expandidas. O mercado acompanha de perto cada movimento, ciente de que a liderança tecnológica pode mudar de mãos rapidamente em um setor que evolui em semanas, não em anos.

A ultrapassagem da Anthropic sobre a OpenAI no campo financeiro não encerra a disputa, mas marca um ponto de inflexão relevante. Pela primeira vez desde o surgimento do ChatGPT, a empresa de Sam Altman perde a posição de startup de IA mais valiosa do mundo. O episódio confirma que o mercado de inteligência artificial está longe de ser monopólio de um único jogador e que investidores estão dispostos a apostar em mais de uma alternativa. Para profissionais e empresas que dependem dessas tecnologias, a competição tende a resultar em produtos mais avançados, preços mais competitivos e uma aceleração no ritmo de inovação.