Como a nova era do Gemini ameaça o domínio da OpenAI na IA cotidiana

O Google apresentou durante o I/O 2026, seu evento anual para desenvolvedores, uma nova geração de agentes de inteligência artificial alimentados pelo modelo Gemini 3.5 Flash. O lançamento posiciona a empresa para assumir a liderança do mercado de IA voltado ao consumidor final, espaço que vinha sendo dominado pela OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT. As ferramentas serão integradas diretamente ao aplicativo Gemini, que conta com 900 milhões de usuários mensais, e ao mecanismo de busca da companhia, utilizado por mais de três bilhões de pessoas.

Nova Era de Inteligência Artificial: Google Desafia OpenAI com Gemini 3.5 Flash - Imagem complementar

Entre as novidades anunciadas está o GeminiSpark, agente capaz de escanear e-mails e organizar viagens em grupo mesmo após o usuário fechar o notebook ou bloquear o celular. Além dessa ferramenta, os agentes de informação integrados à Busca do Google poderão monitorar torneios esportivos, liquidações em compras e variações do mercado de ações de forma automatizada. A empresa também incluiu assistentes voltados para a programação de códigos, rivalizando diretamente com as ferramentas oferecidas pela OpenAI e pela Anthropic.

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A ofensiva da gigante das buscas preocupa a concorrência e provocou reações nos bastidores do setor. Logo após o lançamento da família de modelos Gemini 3, em novembro, o CEO da OpenAI, Sam Altman, decretou um estado de Código Vermelho para acelerar as melhorias no ChatGPT. Atualmente, o laboratório rival concentra seus esforços em um agente de programação, mas o avanço do Gemini 3.5 Flash, que segundo o Google é quatro vezes mais rápido que outros modelos de fronteira, impõe novos desafios à concorrência.

O entusiasmo do mercado com o ecossistema do Google impulsionou o valor de mercado da Alphabet, dona da empresa, para perto de 5 trilhões de dólares, aproximadamente 25 trilhões de reais. Essa valorização ocorre em paralelo a um salto drástico nas despesas de capital da companhia, projetadas em até 190 bilhões de dólares, o equivalente a 954 bilhões de reais, para 2026. O montante representa um valor seis vezes maior do que o registrado há quatro anos, impulsionado pelo encarecimento global de chips e energia.

A justificativa para o orçamento bilionário está no volume massivo de processamento exigido pelas novas ferramentas. O consumo de dados dos serviços do Google atingiu 3,2 quatrilhões de tokens por mês contra 480 trilhões registrados em 2025. Tokens são as unidades de texto processadas pelos modelos de inteligência artificial. Esse ritmo acelerado de uso já fez com que empresas esgotassem seus créditos de consumo de tokens antes do previsto. Durante o I/O 2026, o CEO do Google, Sundar Pichai, afirmou que clientes já estão estourando seus orçamentos anuais de tokens mesmo com apenas quatro meses transcorridos do ano.

Para mitigar os custos dessa operação, a empresa estuda estratégias como o aumento da eficiência tecnológica e a imposição de limites de uso. Segundo Richard Windsor, analista da firma de pesquisa Radio Free Mobile, assinantes do Gemini receberam alertas sobre restrições futuras no teto de consumo. Outra aposta central do Google é a inserção de anúncios nas respostas geradas por inteligência artificial dentro do mecanismo de busca, além de explicações de produtos ao lado de conteúdos publicitários, criando uma fonte de receita para compensar os investimentos bilionários em infraestrutura.