O Google reconquistou a posição de marca mais valiosa do mundo em 2026, encerrando quatro anos consecutivos de liderança da Apple no topo do ranking BrandZ, elaborado pela Kantar. O avanço da empresa foi impulsionado pela integração agressiva de inteligência artificial em seus produtos, especialmente por meio do Gemini, e reflete uma reconfiguração profunda no mercado global de tecnologia.

O valor de marca do Google saltou 57% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 1,48 trilhão. A Apple, por sua vez, chegou a US$ 1,38 trilhão, com crescimento de 6%. Apesar de manter uma posição sólida, a empresa de Cupertino não acompanhou o ritmo acelerado do rival e cedeu a primeira colocação.

Google retoma liderança global de marcas com valor de US$ 1,48 trilhão - Imagem complementar

No conjunto, as 100 marcas mais valiosas do planeta alcançaram um valor recorde de US$ 13,1 trilhões, alta de 22% frente a 2025. O dado reforça o peso do setor de tecnologia na economia global, com destaque para áreas como inteligência artificial, computação em nuvem e plataformas digitais.

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O principal motor da recuperação do Google foi a expansão do Gemini. A empresa incorporou sua inteligência artificial à Busca, ao Android, ao Gmail, ao Google Workspace, ao Chrome e a ferramentas corporativas voltadas para produtividade e programação. A estratégia consistiu em tornar a IA uma camada invisível dentro dos serviços que bilhões de pessoas já utilizam diariamente, sem exigir que o usuário aprenda uma nova plataforma.

Jeff Greenspoon, CEO da Kantar, destacou que o Google conseguiu levar inteligência artificial para o cotidiano das pessoas em uma escala que poucas empresas alcançaram. A percepção do consumidor mudou rapidamente, e a tecnologia passou a ser vista como algo acessível e presente na rotina de trabalho, estudos e entretenimento.

A edição de 2026 do BrandZ revelou que as empresas diretamente associadas à inteligência artificial lideraram os crescimentos percentuais do ranking. A NVIDIA, fabricante de processadores essenciais para o treinamento e a execução de modelos de IA, subiu para a quinta posição com alta de 60% no valor de marca. O mercado passou a enxergar a empresa como uma das bases da nova economia digital, não apenas como fornecedora de hardware.

Outro destaque foi a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, que estreou diretamente na 15ª colocação global com crescimento de 285% em valor de marca. A Kantar classificou esse salto como um dos maiores já registrados na história do levantamento, superado apenas pela valorização da BlackBerry em 2008, no início da era dos smartphones.

A Anthropic, empresa criadora do Claude, também entrou pela primeira vez no top 100, ocupando a 27ª posição com valor de marca estimado em US$ 96,6 bilhões. O resultado demonstra como fabricantes de IA generativa ganharam relevância de marca em ritmo acelerado.

O relatório apontou que 64% dos consumidores afirmaram utilizar ferramentas de inteligência artificial para buscar informações, pesquisar produtos, tirar dúvidas ou realizar tarefas do dia a dia. Esse comportamento ajuda a explicar a valorização expressiva das empresas do setor, que passaram de ferramentas complementares a ambientes centrais da experiência online.

A corrida tecnológica também forçou gigantes tradicionais a acelerar investimentos. A Microsoft, que apareceu na terceira posição com valor de marca de US$ 1,1 trilhão e crescimento de 26%, se beneficiou da integração de IA ao Windows, ao Office e aos serviços corporativos do Azure. A Amazon ficou em quarto lugar, com US$ 1 trilhão, impulsionada pelo comércio eletrônico e pela expansão de serviços de nuvem e IA generativa.

As plataformas da Meta mantiveram forte presença global, com Facebook e Instagram entre as marcas mais relevantes do planeta. Pela primeira vez, quatro empresas ultrapassaram a marca de US$ 1 trilhão em valor de marca, um patamar que poucos anos atrás parecia inatingível.

O impacto da inteligência artificial também chegou ao marketing. Martin Guerrieria, chefe do BrandZ, observou que as empresas de IA buscam construir marcas emocionalmente fortes, indo além do posicionamento técnico. Campanhas veiculadas durante o Super Bowl, incluindo comerciais do Gemini, ChatGPT e Claude, passaram a apresentar a IA como companheira de produtividade e criatividade.

A disputa tecnológica global ganhou uma dimensão adicional com o avanço das marcas chinesas. As empresas do país registraram aumento coletivo de 31% no valor de marca em 2026. A Alibaba Group apareceu na 19ª posição global, enquanto o TikTok ocupou a 25ª. O Banco Agrícola da China registrou alta de 54%, e a Xiaomi cresceu 48%, impulsionada por dispositivos conectados e seu ecossistema inteligente. A China continua apostando em IA, semicondutores, mobilidade elétrica e plataformas digitais como pilares estratégicos de competitividade.

O ranking BrandZ de 2026 sinaliza que a próxima década será definida pela capacidade das empresas de integrar inteligência artificial ao cotidiano das pessoas de forma simples e eficiente. Mais do que desenvolver modelos avançados, as gigantes da tecnologia disputam a transformação da IA em experiência prática e emocionalmente relevante para bilhões de usuários. O crescimento explosivo de OpenAI, NVIDIA e Anthropic indica que o mercado ainda está longe de se estabilizar e que a corrida da inteligência artificial segue em fase inicial.