A dificuldade de transformar ideias em soluções reais de inteligência artificial é um desafio central para a força de trabalho no Brasil. Uma pesquisa realizada pela escola de negócios Conquer com 500 profissionais de diversas regiões e setores do país revelou que 88% dos entrevistados já pensaram em criar projetos utilizando a tecnologia, mas não conseguiram concretizá-los.

O levantamento indica que a maioria dos trabalhadores brasileiros possui a intenção de inovar, mas esbarra em limitações técnicas e estruturais. Esse cenário cria um abismo entre a percepção do potencial da tecnologia e a capacidade efetiva de implementação de automações ou produtos no mercado nacional.

Brasileiros têm ideias de IA mas enfrentam barreiras na execução - Imagem complementar

Atualmente, o uso de inteligência artificial no Brasil permanece concentrado em funcionalidades simplificadas. Cerca de 56,6% dos respondentes se classificam como usuários básicos, utilizando ferramentas como o ChatGPT, assistente de inteligência artificial da OpenAI, ou o Gemini, da Google, apenas para a redação de textos, esclarecimento de dúvidas e criação de imagens.

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Apenas 11,6% dos profissionais pesquisados atingiram o nível de construtores. Esse grupo é composto por indivíduos que conseguem desenvolver aplicações estruturadas ou criar soluções tecnológicas completas com o apoio de inteligência artificial.

Entre as principais barreiras para a execução de projetos, a falta de conhecimento técnico aparece no topo da lista, citada por 41% dos profissionais. A preocupação com a segurança de dados é outro ponto crítico, mencionada por 35% dos participantes.

A dificuldade em selecionar as ferramentas adequadas para cada projeto foi apontada por 32% dos entrevistados. Além disso, a escassez de tempo na rotina diária foi mencionada por 28,2% da amostra.

A ausência de incentivos por parte das empresas também contribui para a estagnação da inovação, sendo citada por 21,6% dos profissionais. Esses dados sugerem que a cultura corporativa brasileira ainda não oferece o suporte necessário para a experimentação tecnológica.

O estudo também revela uma percepção de risco profissional relacionada ao nível de domínio da tecnologia. Cerca de 80% dos entrevistados acreditam que, em um futuro próximo, quem apenas utiliza a inteligência artificial será substituído por quem domina a capacidade de idealizar e construir soluções com ela.

Essa percepção gera um paradoxo no mercado brasileiro, onde o profissional reconhece a necessidade de evoluir, mas se sente incapaz de romper a barreira técnica. O sentimento de estar ficando para trás torna-se comum entre aqueles que possuem boas ideias, mas não detêm a competência técnica para a implementação.

O cenário reflete a necessidade urgente de maior letramento digital e formação especializada em inteligência artificial. A transição do papel de usuário para o de construtor é vista como o principal diferencial competitivo para a sobrevivência profissional na era da automação.

Enquanto a base da pirâmide de usuários continua dependente de tarefas básicas, a elite técnica permanece pequena. Esse desequilíbrio pode limitar a produtividade das empresas brasileiras que dependem de inovações internas para crescer.

O levantamento da Conquer serve como um alerta sobre a urgência de transformar a curiosidade em competência prática. A inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta de assistência para se tornar um requisito de criação e desenvolvimento.