# Lula Participa de Cúpula de IA na Índia e Promove Parcerias Tecnológicas com o Sul Global
A Índia recebe desde segunda-feira (16) a Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial 2026, em Nova Déli. O evento prossegue até sexta-feira (20) e marca a primeira cúpula internacional de IA realizada no Sul Global, reunindo líderes mundiais, executivos de tecnologia, pesquisadores e representantes da sociedade civil para cinco dias de debates sobre o futuro dessa tecnologia emergente.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou na capital indiana nesta quarta-feira (18). Sua participação está prevista para quinta-feira (19), quando discursará durante a plenária de alto nível ao lado de outros chefes de Estado e executivos do setor de tecnologia. Na sexta-feira (20), o governo brasileiro realizará um evento paralelo chamado "IA para o bem de todos", com o objetivo de apresentar as perspectivas do país para o futuro da inteligência artificial. O encontro contará com a presença de ministros de Estado das pastas de Ciência, Tecnologia e Informação; Gestão e Inovação nos Serviços Públicos; Educação; Saúde; e Comunicações.
No sábado (21), Lula será recebido em visita de Estado e cumprirá agenda de encontros com lideranças indianas. Na reunião com o primeiro-ministro Narendra Modi, os dois líderes vão dialogar sobre cooperação entre Brasil e Índia em diversas áreas, incluindo comércio, investimentos, defesa, aviação, tecnologias digitais, inteligência artificial, economia e finanças, transição energética, minerais críticos, saúde, acesso a medicamentos e indústria farmacêutica, além de cooperação espacial.
De acordo com o Palácio do Planalto, os líderes também deverão tratar dos atuais desafios ao multilateralismo e da necessidade de uma reforma abrangente da governança global. Em 2025, a Índia foi o quinto maior parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio de US$ 15,2 bilhões.
Lula permanecerá em Nova Déli até sábado e, posteriormente, viajará para Seul, na Coreia do Sul. Entre os dias 22 e 24 de fevereiro, se reunirá com o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, e com executivos de grandes empresas locais. Também está prevista a realização de um fórum empresarial com mais de 200 executivos brasileiros.
**Parceria Digital Brasil-Índia**
O jornal Folha de S.Paulo teve acesso ao conteúdo da Parceria Digital Brasil-Índia para o Futuro, acordo que será anunciado no fim de semana. O texto prevê:
- Criação de um centro de excelência conjunto em infraestrutura pública
- Colaboração em identidade digital, pagamentos digitais e compartilhamento de dados
- Rede aberta de IA para ação climática em países em desenvolvimento
- Cooperação em IA na adoção e desenvolvimento de grandes modelos de linguagem
- Parceria em semicondutores
- Acordos sobre governança de internet e inovação em IA com respeito a direitos autorais
Fontes ouvidas pelo jornal de vários ministérios informam que o pano de fundo da parceria é impedir que o Sul Global fique para trás na corrida das inteligências artificiais. O governo brasileiro entende que essa é uma frente de desigualdade a ser atacada.
"A cadeia de IA que vai desde as terras raras até o software não pode levar a um maior desequilíbrio entre países nem aprofundar a desigualdade dentro dos países. É muito importante debater quem vai produzir a tecnologia, como ela vai ser distribuída, e como o Brasil se insere nisso de uma maneira diferente das últimas mudanças tecnológicas, em que ficamos correndo atrás", afirmou à Folha Esther Dweck, ministra da Gestão e da Inovação.
Outro assunto na pauta de Lula é a defesa da soberania do Brasil para regular as big techs. O presidente brasileiro também deve defender uma governança global das inteligências artificiais.
**Memorando sobre Minerais Críticos**
A Folha de S.Paulo também revelou que o Brasil deve lançar um memorando de entendimento sobre minerais críticos com a Índia. Esses minerais incluem elementos como lítio, cobalto, níquel e terras raras, essenciais para setores como defesa, tecnologia de ponta e transição energética. Eles são a base de produtos como baterias de carros elétricos, painéis solares, turbinas eólicas e semicondutores, o que aumenta a pressão internacional por acesso a reservas e cadeias de suprimento mais seguras.
Este será o primeiro acordo bilateral do Brasil voltado para minerais críticos. Vale destacar que a parceria é com a Índia, e não com a China ou os Estados Unidos, que dominam esse setor.
O jornal antecipou que o acordo e as falas de Lula deverão sinalizar alguns princípios do Brasil em relação ao tema:
- Não à exclusividade: o governo não querfirmar tratados de exclusividade, em um momento em que os EUA estão pressionando alguns países a seguirem esse caminho
- Desenvolvimento interno: o presidente brasileiro deve mostrar o interesse em estimular o processamento de minerais no Brasil, deixando de fornecer apenas matéria-prima
Do lado indiano, o interesse principal é reduzir a dependência de outros países na cadeia de suprimentos de minerais críticos e tecnologia.