Há algum tempo a Austrália surpreendeu ao anunciar a proibição do acesso de adolescentes às redes sociais. Agora o Reino Unido busca apoio da população para seguir por caminho semelhante.
O governo do primeiro‑ministro Keir Starmer abriu recentemente uma consulta pública para saber se jovens com menos de 16 anos deveriam ser impedidos de usar mídias sociais. A proposta visa alterar a legislação vigente de modo que menores de 16 anos não possam acessar redes sociais nem interagir com chatbots alimentados por inteligência artificial.
A demanda por mudanças ganhou força em meio a incidentes como o do chatbot Grok, no X, que gerou imagens sexualizadas não consensuais de várias pessoas — um episódio que motivou pressão política para regular com mais rigor esse tipo de tecnologia. Países europeus como Espanha, Grécia e Eslovênia também já manifestaram interesse em instaurar proibições semelhantes para seus adolescentes.
Atualmente o Reino Unido conta com um regime de segurança online considerado rígido, mas esse arcabouço não abrange interações individuais com chatbots de IA. Em entrevista à Times Radio, Liz Kendall, ministra da Tecnologia, afirmou estar preocupada e ressaltou que muitas ferramentas de IA não foram projetadas para proteger crianças. Segundo a ministra, uma regra desse tipo é essencial, já que jovens estão cada vez mais conectados e, portanto, mais expostos a contatos com IA por meio de chatbots.
Kendall disse ainda que apresentará propostas de alteração até junho e que, se a lei for modificada, todas as empresas de IA que operam no Reino Unido terão de ajustar suas políticas de uso para se adequar às novas normas do país.