A edição atual das Olimpíadas de Inverno vem chamando atenção não só pelas disputas, mas também pela novidade nas transmissões: drones de visão em primeira pessoa (FPV). A tecnologia tem sido empregada em diversas modalidades para capturar imagens dinâmicas que “acompanham os atletas”, oferecendo um tipo de cobertura além das câmeras fixas tradicionais.
Segundo a Olympic Broadcasting Services (OBS), responsável pelas transmissões, os drones FPV acrescentam uma “terceira dimensão” às transmissões, proporcionando ângulos e movimentos que antes eram difíceis de obter.
Como são esses drones
As unidades usadas nas transmissões foram desenvolvidas pela Dutch Drone Gods, que também fornece equipamentos para capturas em corridas de Fórmula 1. Cada drone pesa menos de 250 gramas — um requisito importante para permitir voos próximos aos atletas dentro das normas de segurança — e pode alcançar velocidades de até 120 km/h, suficiente para seguir competidores em alta velocidade.
O design desses equipamentos inclui lâminas invertidas e propulsores instalados na parte inferior do chassi, solução destinada a melhorar a eficiência aerodinâmica e a precisão em curvas fechadas. A operação de cada drone envolve uma equipe formada por piloto, diretor e técnico, que se comunicam diretamente com o caminhão de transmissão para ajustar filtros de vídeo em tempo real. Para manter a linha de visão, os pilotos costumam trabalhar em posições elevadas. A montagem dos equipamentos varia conforme o local: são usados andaimes em arenas fechadas e soluções adaptadas ao terreno íngreme nas áreas alpinas.
Aplicações por modalidade
Nos esportes de deslize — Luge, Skeleton e Bobsled — a tecnologia estreou acompanhando o atleta nas primeiras três ou quatro curvas, registrando a velocidade e a precisão da linha percorrida. No esqui alpino, os drones perseguem competidores em descidas íngremes, com foco na técnica em trechos de cristas cegas e zonas de compressão. No salto de esqui, seguem o atleta na rampa de decolagem e fazem um desvio no ar para capturar o posicionamento do corpo durante a fase de voo.
Pela primeira vez, drones também perseguem patinadores por trás em arenas fechadas de patinação de velocidade. No biatlo, a tecnologia é empregada na largada, para mostrar a disputa por posições no pelotão.
Limitações e logística
Por serem muito leves e compactos, as baterias têm capacidade reduzida: depois de cerca de duas descidas é necessário retornar à base para trocar as células. Na operação em Milão-Cortina, sedes das competições, são utilizados 15 drones FPV, além de 10 drones tradicionais para capturas estáticas e de cenários.
Outras tecnologias de transmissão
Além dos drones, a OBS implantou tecnologias de análise visual avançada em parceria com Alibaba e OMEGA. Um destaque é o sistema de Replay 360º em tempo real, que integra entre 20 e 50 câmeras com inteligência artificial. Na prática, isso permite captar todos os ângulos simultaneamente, congelar a imagem e girar totalmente a cena. A análise estroboscópica via IA também realça trajetórias de movimento e posições corporais em uma única sequência visual. Ao todo, a transmissão das Olimpíadas envolve cerca de 800 câmeras.
Reações dos atletas
As reações entre os competidores têm sido mistas. A bobsledder Ashley Farquharson elogiou a inovação, afirmando que ela dá “visibilidade e dimensão real às modalidades”. Por outro lado, houve preocupações de segurança após a queda de um drone durante um treino de esqui downhill, que deixou detritos na pista. A snowboarder Bea Kim reclamou que alguns dispositivos voam muito próximos aos atletas e que o ruído agudo dos propulsores chega a ser comparado às vuvuzelas da Copa do Mundo de 2010. A bobsledder Elana Meyers Taylor comentou que o ângulo de visão em FPV pode provocar náusea em parte do público, devido à agitação excessiva das imagens em movimento.