A Intel anunciou que passará a produzir unidades de processamento gráfico (GPUs), em movimento voltado para um mercado hoje dominado pela Nvidia. O comunicado foi feito pelo CEO Lip-Bu Tan durante o Cisco AI Summit, realizado em São Francisco na terça-feira (03). A aposta da empresa é nos chips usados para treinar modelos de inteligência artificial, especialmente os grandes modelos de linguagem (LLMs).

A estratégia da Intel concentra-se no segmento de data centers — infraestrutura crucial para o funcionamento e o treinamento de LLMs — e prevê tanto o desenvolvimento de seus próprios GPUs quanto a oferta de fabricação para terceiros por meio da divisão de fundição (Foundry). Para liderar tecnicamente o projeto, a companhia contratou Eric Demmers, ex-vice-presidente de engenharia da Qualcomm, que assumirá o cargo de arquiteto‑chefe de GPUs. A nova divisão ficará sob a gestão de Kevork Kechichian, executivo responsável pela área de chips para data centers.

Segundo a empresa, o projeto ainda está em estágio inicial e os produtos deverão ser desenvolvidos conforme as demandas dos clientes. No aspecto fabril, a Intel pretende aumentar a produção de sua tecnologia mais avançada, chamada 14A, ao longo de 2026. A companhia também recebeu, no ano passado, investimentos e apoio de diferentes atores, entre eles o governo dos Estados Unidos, o grupo SoftBank e até a rival Nvidia.

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Tan comentou ainda sobre a capacidade de contratação da chinesa Huawei, afirmando ter ficado impressionado com a atração de talentos da empresa apesar das restrições impostas pelos Estados Unidos, e advertiu que concorrentes chineses podem ganhar terreno rapidamente se não houver cuidado. Por fim, o executivo projetou que a escassez de chips de memória no mercado global deve permanecer sem solução até 2028.